sexta-feira, 31 de maio de 2013



Francisco Rodrigues Lobo


Francisco Rodrigues Lobo nasceu em Leiria em 1580 e faleceu em Lisboa em 1622. É um dos mais importantes discípulos de Camões. Tendo sido influenciado por Gôngora, é considerado o iniciador do Barroco na literatura portuguesa. Era de uma família de cristãos-novos, formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, não se conhecendo quaisquer cargos públicos que tenha exercido. Morreu afogado numa viagem de barco que fazia entre Santarém e Lisboa. A nível poético, escreveu romances bucólicos, éclogas e sonetos. Em prosa escreveu a Corte na Aldeia (1619), que é uma coleção de diálogos didáticos sobre preceitos da vida na corte. Esta obra reflete a frustração da nobreza portuguesa pelo desaparecimento da corte nacional sob a dominação filipina.







Águas que, penduradas desta altura,
Caís sobre os penedos descuidadas,
Aonde, em branca escuma levantadas,
Ofendidas mostrais mais fermosura,

Se achais essa dureza tão segura,


Para que porfiais, águas cansadas?
Hei tantos anos já desenganadas,
E esta rocha mais áspera e mais dura.

Voltai atrás por entre os arvoredos,
Aonde caminhais com liberdade
Até chegar ao fim tão desejado.

Mas ai! que são de amor estes segredos.
Que vos não valerá própria vontade
Como a mim não valeu no meu cuidado.


Pastoral


Fermoso Tejo meu, quão diferente
Te vejo e vi, me vês agora e viste:
Turvo te vejo a ti, tu a mim triste,
Claro te vi eu já, tu a mim contente.

A ti foi-te trocando a grossa enchente
A quem teu largo campo não resiste;
A mim trocou-me a vista em que consiste
O meu viver contente ou descontente!

Já que somos no mal participantes,
Sejamo-lo no bem. Oh, quem me dera
Que fôramos em tudo semelhantes!

Mas lá virá a fresca Primavera:
Tu tornarás a ser quem eras dantes,
Eu não sei se serei quem dantes era.


Fénix Renascida, I 




Mil anos há que busco a minha estrela
E os Fados dizem que ma têm guardada;
Levantei-me de noite e madrugada,
Por mais que madruguei, não pude vê-la.

Já não espero haver alcance dela
Senão depois da vida rematada,
Que deve estar nos céus tão remontada
Que só lá poderei gozá-la e tê-la.

Pensamentos, desejos, esperança,
Não vos canseis em vão, não movais guerra,
Façamos entre os mais üa mudança:

Para me procurar vida segura
Deixemos tudo aquilo que há na terra,
Vamos para onde temos a ventura.


Fénix Renascida, I




Fermoso rio Lis, que entre arvoredos
Ides detendo as águas vagarosas,
Até que üas sobre outras, de invejosas,
Ficam cobrindo o vão destes penedos;

Verdes lapas, que ao pé de altos rochedos
Sois morada das Ninfas mais fermosas,
Fontes, árvores, ervas, lírios, rosas,
Em quem esconde Amor tantos segredos;

Se vós, livres de humano sentimento,
Em quem não cabe escolha nem vontade,
Também às leis de Amor guardais respeito.

Como se há-de livrar meu pensamento
De render alma, vida e liberdade,
Se conhece a razão de estar sujeito?


Primavera, Vales e Montes..., Floresta Undécima


Padre, Antônio Vieira

Padre Antônio Vieira em nasceu 1608, em Lisboa, e representa, sem dúvida, a maior expressão da eloquência sacra de Portugal e um dos maiores escritores de seu século. Foi para a Bahia, ainda pequeno, onde recebeu ordenação sacerdotal e começou a atuar na Companhia de Jesus, que era um movimento cristão de catequização indígena, que discriminava a escravidão pelos colonos, ao mesmo tempo que também utilizava a mão de obra indígena.
Antônio Vieira se destacou por ser um pregador facundo, principalmente no que diz respeito aos seus sermões. A respeito destes últimos, eram impregnados de filosofia, o que o levava a se considerar um filósofo que tratava apenas de assuntos cristãos. Por algum tempo esteve politicamente envolvido com a Inquisição, período no qual foi acusado até mesmo de traição por defender, além dos índios, os novos cristãos, principalmente os judeus. Sofreu condenação, dita como branda, por parte da Inquisição: ficou preso por dois anos (1665-1667) e foi impedido de dar palavra. Vieira usou seu dom da retórica para falar com o papa a respeito desta condenação, o qual o absolve de toda censura ainda existente. Logo após, Antônio Vieira foi a Roma, onde assumiu novamente seu papel oratório. Em 1681, decidiu regressar ao Brasil, onde faleceu, em 1697, no Colégio da Bahia.
 Podemos dividir a obra de Padre Antônio Vieira em:
• Profecias: constituintes de três obras: História do futuro, Esperanças de Portugal e Clavis prophetarum.
• Cartas: são cerca de 500 cartas, que tratam de assuntos sobre a relação de Portugal e Holanda, a Inquisição e os cristãos-novos. São tidos como documentos históricos importantes, já que tratam das diversas situações sociopolíticas da época.
• Sermões: são aproximadamente 200 sermões, com estilo barroco concretista, que trata o assunto de maneira racional, lógica e utiliza retórica aprimorada. Um dos seus sermões mais conhecidos é o “Sermão da Sexagésima”, o qual é metalinguístico, já que tem como tema a própria arte de pregar. Além deste, temos: Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda, Sermão de Santo Antônio e Sermão aos peixes. 
Sermão da Sexagésima 

Quando Cristo mandou pregar os Apóstolos pelo Mundo, disse-lhes desta maneira: Entes in mundo universo, praticante como criatura: «Ide, e pregai a toda a criatura». Como assim, Senhor?! Os animais não são criaturas?! As árvores não são criaturas?! As pedras não são criaturas?! Pois hão os Apóstolos de pregar às pedras?! Hão de pregar aos troncos?! Hão de pregar aos animais?! Sim, diz S. Gregório, depois de Santo Agostinho. Porque como os Apóstolos iam pregar a todas as nações do Mundo, muitas delas bárbaras e incultas, haviam de achar os homens degenerados em todas as espécies de criaturas: haviam de achar homens, haviam de achar homens brutos, haviam de achar homens troncos,haviam de achar homens pedras.
                                                                              (Padre, Antônio Vieira)




D. Francisco Manuel de Melo

D. Francisco Manuel de Melo nasceu em Lisboa em 23 de Novembro de 1606, época da dominação filipina em Portugal.
Na sua condição de fidalgo, ligado à mais alta nobreza, teve uma educação marcada pelo estudo no colégio jesuíta de Santo Antão, adquirindo uma vasta cultura erudita e prestou serviço nas armadas espanholas. Frequentou a corte madrilena, grande centro político e cultural da península.
Tendo combatido na Flandres ao serviço de Espanha, foi encarregado em 1640 de reprimir a revolta da Catalunha; no entanto, nesse mesmo ano, a restauração da independência portuguesa fê-lo cair em desgraça. Permaneceu preso durante quatro meses, por suspeita de apoiar a independência de Portugal e libertado após conseguir ilibar-se. Em 1641, foi encarregado de algumas missões diplomáticas e, no mesmo ano, acaba por desertar, aproveitando a sua estadia na Flandres, aderindo à causa da Restauração da independência, apoiando D. João IV de Portugal, prestando-lhe apoio militar e diplomático.
Em 1644 foi preso como cúmplice no assassínio de um criado do conde de Vila Nova, sendo tratado com grande rigor pelo rei, apesar do empenho com que se defendeu e da intercessão pessoal de Luís XIV de França. Teve na Torre de Belém um dos seus locais de reclusão. Permaneceu na prisão até 1655, seguindo depois como degredado para o Brasil (Baía), onde viveu três anos e de onde só voltou em 1658, após a morte de D. João IV. O conde de Castelo Melhor reabilitou-o e confiou-lhe importantes missões diplomáticas, voltando a ser uma personagem marcante na vida académica literária e na corte nos últimos anos da sua vida. Em 1666, ano da sua morte, foi nomeado deputado da Junta dos Três Estados.
Escritor bilingue, pertencente tanto à história da cultura portuguesa como espanhola, foi um representante típico da aristocracia da época e figura cimeira do barroco português.
A sua obra estende-se pelos mais variados géneros - poesia, teatro, doutrina política e militar, genealogia, biografia; foi memorialista e historiador, servindo-lhe Tácito de principal modelo. Foi ainda crítico de costumes, moralista, epistológrafo, cabalista, precursor dos volumosos trabalhos de compilação poética e de bibliografia que viriam a realizar-se no tempo de D. João V. Tem uma extensa obra bilingue que ocupa um lugar de relevo em qualquer das literaturas peninsulares, sendo um dos grandes prosadores da língua portuguesa da época barroca.
Destacou-se como animador da «Academia dos Generosos», agremiação literária barroca.
Publicou, em vida, um total de vinte obras; outras saíram postumamente.
Concerto Musical Barroco
Padre Manuel Bernardes

  
     Nasceu em Lisboa, em 1644. Aos trinta anos, ingressou na Congregação do Oratório de S. Filipe Néri, imerso no silêncio claustral, a meditar e a compor sua obra moralista.
  Suas existências, apenas marcadas por duas datas, e sua obra opõem-se diametralmente às do Padre António Vieira. Infenso à vida ativa e ao atrito social, era um contemplativo e místico por natureza, e as obras que escreveu, refletem nitidamente essa condição. Dotado de inquebrantável fé religiosa, que o recolhimento conventual estimulava e nutria, escreveu suas obras com os olhos voltados para o plano transcendente, embora não esquecesse dirigi-los igualmente para os seus semelhantes, dentro e fora dos mosteiros. Por isso, ao se comunicar com o leitor, no afã pedagógico de guiá-lo na estrada que levaria à bem-aventurança, não esquece jamais de molhar a pena com a ungida contemplação espiritual em que se compraz. Quer ensinar o homem a encontrar Deus pelo culto das virtudes morais mais autênticas nele, precisamente as que lhe conferem a condição de criatura humana. 
     Sua numerosa obra, em que se espelham especiais qualidades de escritor e pensador cristão, escreveu-a com esse único destino: Nova Floresta (5vols., 1706, 1708, 1711, 1726, 1728), Pão Partido em Pequeninos (1694), Luz e Calor (1696), Exercícios Espirituais (1707), Últimos Fins do Homem (1726), Armas da Castidade (1737) Sermões e Práticas (2 vols., 1711), Estímulo prático para seguir o bem e fugir o mal (1730).
A Nova Floresta é a obra mais conhecida do Padre Manuel Bernardes, entre outras razões porque nela o escritor atingiu o apogeu de suas faculdades literárias. Ao mesmo tempo, assinala a realização plena do seu processo: os tópicos de que trata estão dispostos em ordem alfabética: Alma Racional, Amizade, Amor Divino, Apetites, Armas, Astúcia, Avareza, etc., por vezes conjugando num só tópico matérias afins: Abstinência. Jejum; Alegria. Tristeza; Anos. Idade. Tempo; etc. 
     Cônscio do poder insinuativo e modificador das palavras, como bom conceptista que era o Padre Manuel Bernardes procura atingir o máximo de efeito com o mínimo de recursos: baixa até o leitor, conta-lhe um "caso", um "exemplo", de origem religiosa, ou bíblica, histórica ou mesmo popular, e dele extrai as ilações que julgam fundamentais para a formação moral do verdadeiro cristão.


FREI JERÓNIMO BAÍA (1620-1688) - FALANDO COM DEUS




Só vos conhece, amor, quem se conhece;
Só vos entende bem quem bem se entende;
Só quem se ofende a si, não vos ofende,
E só vos pode amar quem se aborrece.

Só quem se mortifica em vós floresce;
Só é senhor de si quem se vos rende;
Só sabe pretender quem vos pretende,
E só sobe por vós quem por vós desce.

Quem tudo por vós perde, tudo ganha,
Pois tudo quanto há, tudo em vós cabe.
Ditoso quem no vosso amor se inflama,

Pois faz troca tão alta e tão estranha.
Mas só vos pode amar o que vos sabe,
Só vos pode saber o que vos ama.

Ao menino Deus nascido

Não choreis, belo Menino,
Se de amante vos prezais,
Porque amor que chora mais
É sempre amor menos fino:
Limpai o rosto divino,
A quem a minha alma adora,
Que se vossa Mãe vos chora,
Meu Deus, com tantos rigores,
É porque ao nascer das flores,
Costuma chorar a Aurora


A uma trança de cabelos negros

Diversa em cor, igual em bizarria
Sois, bela trança, ao lustre de Sofala,
Luto por negra, por vistosa gala,
Nas cores noite, na beleza dia.

Negra, porém de amor na monarquia
Reinais senhora, não servis vassala;
Sombra, mas toda a luz não vos iguala;
Tristeza, mas venceis toda a alegria.

Tudo sois, mas eu tenho resoluto
Que sois só na aparência enganadora
Negra, noite, tristeza, sombra, luto.

Porém na essência, ó doce matadora,
Quem não dirá que sois, e não diz muito,
Dia, gala, alegria, luz, senhora?

Autor: Jerónimo Baía (1620/30-1688)



Sermão do segundo domingo da Quaresma

Se Deus fizesse alguma vez o oficio de estatuário, que perfeita e admirável sairia uma imagem das suas mãos? Mas esta suposição que eu apreendia só possível, no Profeta Zacarias a leio atualmente efetuada. Mostrou Deus ao Profeta uma misteriosa pedra esculpida, e disse-lhe gloriando-se da obra que ele mesmo fora o artífice: Ecce ego caelabo sculpturam ejus. Escultura aberta pela própria mão de Deus, e de que o mesmo Deus se gloria! Vinde almas e atendei: sem dúvida, aqui há muito que ver. É verdade, e já em prova disso adverte o texto, que sobre esta pedra estavam sete olhos, não entalhados, ou feitos da mesma Pedra (dizem Lira, Vatablo, Sanches e outros), senão de fora olhando atentamente como admirados dos primores de seu artifício: Quem septem cernunt oculi, verte o Caldeu, e concorda a exposição do Beato Alberto Magno: Septem oculi, idest septem circunspectiones, que esta pedra respondia a sete aspetos, ou era objeto de sete diferentes vistas.

Que misteriosa pedra seja esta, dizem comumente os S.S. P.P. que é Cristo Crucificado, porque primeiramente este Senhor, em sua Paixão Sagrada (segundo profetizara Davi e interpretou o mesmo Cristo) 1, foi pedra reprovada do seu povo, e escolhida por Deus para Capitel do místico edifício de toda a sua Igreja. Quantos golpes, quantas chagas, quantos tormentos padeceu no corpo e na alma, tantos lavores se esculpiram nesta pedra; e suposto que as mãos de seus inimigos foram os instrumentos, todavia à de Deus se atribui a obra, sem cuja permissão nenhum golpe poderia tocar na pedra: Sculpture (diz. S. Gregório) nihil aliud fuerunt, quam foramina vulnerum ejus, quorum clavi, spinae, et lancea instrumenta Divini artificis fuerunt2. Mas que sete olhos são estes, que atendem a escultura de Pedra, ou que sete aspetos diferentes são os que nela se representam? Se me é lícito proferir, o que nesta parte sinto, parece-me que toda a alma devota que atentamente empregar os olhos em Cristo Crucificado, há de descobrir neste admirável objeto sete objetos os mais relevantes que a Religião Cristã professa, e em que toda ela se cifra, são estes os seguintes: primeiro, a graveza do pecado; segundo, a terribilidade do inferno; terceiro, a grandeza da Glória; quarto, o valor da Alma; quinto, a esperança do perdão; sexto, o caminho da virtude; sétimo e último, o excesso do amor Divino. Torno a dizer: sabeis, Católicos, que é o que vemos quando vemos a Cristo Crucificado? Vemos uma horrorosa sombra de fealdade do pecado; vemos uma comparação significativa das penas do Inferno; vemos uma medida certa das grandezas do Céu; vemos o preço justo do valor de uma alma racional; vemos um fortíssimo argumento da esperança de nossa salvação; vemos um livro compendioso dos ditames da perfeição Evangélica; e vemos um retrato vivo das finezas do amor divino. Eis aqui sete aspetos diferentes, que se descobrem nesta Pedra; eis aqui sete vistas, ou circunspecções, com que devemos atender à sua escultura, que bem mostra ser da mão do artífice Supremo: Super lapidem unum septem circunspectiones: ecce ego caelabo scumlpuram ejus.

                                                                          (Padre, Manuel Bernardes)

quinta-feira, 30 de maio de 2013

"A Uma Rosa"

Como tens tão pouca vida?
Quem tão depressa te mata? 
Flor do mais ilustre sangue,
 
Quem deu de Vénus a planta?

Uma Aurora só que vives, 
Flores te chamam Monarca:
Na mesma terra do império, 
Que foi berço, tens a campa.

Lástima da tarde chamam 
A ti doce mimo da alva,
 
Gentil pérola nascida
Entre concha de esmeralda.

Águia nos voos florentes 
Estendes ao Sol as asas,
Mas quando os raios lhe logras, 
Fénix em raios te abrasas.

Enquanto em verde clausura 
Te fecha o botão as galas,
 
Para os logros, que desejas,
 
T e dão vida as esperanças.

Mas quando a púrpura bela 
Te serve já de mortalha,
 
Sentindo o Sol chora raios,
 
Buscando a morte nas águas.

De fermosura tão rica 
Não sei quem foi o pirata
 
Tão atrevido, que rouba
 
A jóia da madrugada.
                                       
                                          (Frei, Jerónimo Baía)



A Uma Crueldade Formosa


A minha bela ingrata
Cabelo de ouro tem, fronte de prata,
De bronze o coração, de aço o peito;
São os olhos luzentes,
Por quem choro e suspiro,
Desfeito em cinza, em lágrimas desfeito,
Celestial safiro;
Os beiços são rubins, perlas os dentes;
A lustrosa garganta
De mármore polido;
A mão de jaspe, de alabastro a planta.
Que muito, pois, Cupido,
Que tenha tal rigor tanta lindeza,
As feições milagrosas,
Para igualar desdéns a formosuras,
De preciosos metais, pedras preciosas,
E de duros metais, de pedras duras?
                                                       ( Frei, Jerónimo Baía)
Os principais autores do Barroco em Portugal:
Padre Manuel Bernardes
            Nascido em 1644, em Lisboa, falecido em 1710 foi membro da Congregação do Oratório de S. Felipe Neri, onde escreveu toda suas obras.

Francisco Rodrigues Lobo
            Nascido por volta de 1580 e falecido em 1622, desenvolveu a poesia (inclusive épica), a novela e a prosa doutrinária.

D. Francisco Manuel de Melo
            Nascido em Lisboa, em 1608, foi um escritor político e militar português, historiador da literatura barroca.
           
Padre Antônio Vieira
            Nascido em Lisboa, em 1608, e felecido em Salvador, na Bahia, em 1697. Em 1614 veio para o Brasil, estudando no Colégio Jesuítico da Bahia. 
Os principais autores do Barroco no Brasil:
Gregório de Matos guerra
            Nasceu na Bahia, em 1633, após os primeiros estudos no Colégio de Jesuíta, foi para Portugal, graduando-se em Direito pela universidade de Coimbra, faleceu no ano de 1695.

Manuel Botelho de Oliveira
            Nasceu em Salvador, em 1636 estudou Jurisprudência em Coimbra, faleceu no ano de 1768.

Frei Manuel de Santa Maria Itaparica

            Nasceu no ano de 1704, na Ilha Itaparica, na Bahia extraiu seu nome artístico e religioso, faleceu no ano de 1768.
Arquitetura, pintura e escultura:

O estilo Barroco traduz a tentativa angustiante de conciliar forças antagônicas: bem e mal; Deus e Diabo; céu e terra; pureza e pecado; alegria e tristeza; espírito e matéria. Embora tenha-se originado antes da Contra-Reforma, o estilo Barroco desenvolveu-se paralelamente a ela e vincula-se à sua ideologia. Manifestando-se primeiro na pintura, difundiu-se posteriormente nas demais artes. O propósito fundamental do Barroco é impressionar os sentidos do receptor, baseando-se no princípio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio. Por isso, a arte barroca procura provocar surpresa, deslumbramento e maravilhas transmitindo nas artes e esculturas.
Movimento Histórico:

O final do século XVI e início do século XVII caracteriza-se, na Europa, pela ocorrência de conflitos de natureza política, econômica, social e, principalmente, religiosa. São fatos importantes deste período.
O término do ciclo das grandes navegações, que tanto estimulavam o homem confiar em sua própria força e coragem;
A Reforma protestante, liderada por Calvino e Lutero, movimento que considerava permissível e justa a prática do capitalismo. Esse movimento de oposição ao cristianismo tornava a religião atraente para a burguesia;
A divisão da Igreja, consequência da Reforma. Advindos da mesma igreja, consentindo as questões éticas, morais e sociais.
Essa cisão marcou a cultura europeia seiscentista, levando a Igreja Católica a se organizar num movimento denominado Contra-Reforma, centralizando principalmente em Portugal e na Espanha, redutos do cristianismo em sua feição ainda medieval.
Iniciada com a fundação da Companhia de Jesus, em 1534, a Contra-Reforma representava uma reação à visão antropocêntrica de mundo, que marcou todo o Renascimento. A Contra-Reforma, propunha uma volta ao medievalismo e a irrestrita fé na autoridade da Igreja e do Rei. O homem da época tenta atingir uma síntese de valores, ou seja, conciliar razão e fé; espiritualismo e materialismo; carne e alma.
Dessa tentativa origina-se um estado te tensão permanente, que se irradia para a maneira de pensar, para as concepções políticas, para a estrutura social e, sobretudo, para a arte produzida no período

Ao novo estilo, que expressa esse estado de coisas, dá-se ao nome de Barroco. A origem da palavra Barroco tem causado muitas discussões. Dentre as várias posições, a mais aceita é a de que a palavra se teria originado do vocábulo espanhol barrueco, vindo do português arcaico e usado pelos joalheiros desde o século XVI, para designar um tipo de pérola irregular e de formação defeituosa, aliás, até hoje conhecida por essa mesma denominação. Assim, como temo técnico, estabeleceria, desde do início, uma comparação fundamental para a arte: em oposição à disciplina das obras do trabalho artísticos apresentados de bom gosto para todos.