A Uma Crueldade Formosa
A minha bela
ingrata
Cabelo
de ouro tem, fronte de prata,
De
bronze o coração, de aço o peito;
São
os olhos luzentes,
Por
quem choro e suspiro,
Desfeito
em cinza, em lágrimas desfeito,
Celestial
safiro;
Os
beiços são rubins, perlas os dentes;
A
lustrosa garganta
De
mármore polido;
A
mão de jaspe, de alabastro a planta.
Que
muito, pois, Cupido,
Que
tenha tal rigor tanta lindeza,
As
feições milagrosas,
Para
igualar desdéns a formosuras,
De
preciosos metais, pedras preciosas,
E
de duros metais, de pedras duras?
( Frei, Jerónimo Baía)
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