quinta-feira, 30 de maio de 2013

Formoso Tejo meu, quão diferente 
Te vejo e vi, me vês agora e viste: 
Turvo te vejo a ti, tu a mim triste, 
Claro te vi eu já, tu a mim contente.

A ti foi-te trocando a grossa enchente 
A quem teu largo campo não resiste; 
A mim trocou-me a vista em que consiste 
O meu viver contente ou descontente!

Já que somos no mal participantes, 
Sejamo-lo no bem. Oh, quem me dera 
Que fôramos em tudo semelhantes!

Mas lá virá a fresca Primavera: 
Tu tornarás a ser quem eras dantes, 
Eu não sei se serei quem dantes era.
               
                                          (Soneto, Francisco Rodrigues Lobo)

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