Amor, se uma mudança imaginada
É com tanto rigor minha
homicida,
Que fará, se passar de ser
temida,
A ser, como temida,
averiguada?
Se só por ser de mim tão receada,
Com dura execução me tira a vida,
Que fará, se chegar a ser sabida?
Que fará, se passar de suspeitada?
Porém, já que me mata, sendo incerta,
Somente o imaginá-la e presumi-la,
Claro está, pois da vida o fio corta.
Que
me fará depois, quando for certa,
Ou tornar a viver para
senti-la,
Ou senti-la também depois de
morta.
(Soneto, Gregório de Matos)
o blog está maravilhoso.muito bom mesmo.
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