quinta-feira, 30 de maio de 2013

Amor, se uma mudança imaginada 
É com tanto rigor minha homicida, 
Que fará, se passar de ser temida, 
A ser, como temida, averiguada?

Se só por ser de mim tão receada, 
Com dura execução me tira a vida, 
Que fará, se chegar a ser sabida? 
Que fará, se passar de suspeitada?

Porém, já que me mata, sendo incerta, 
Somente o imaginá-la e presumi-la, 
Claro está, pois da vida o fio corta.


Que me fará depois, quando for certa, 
Ou tornar a viver para senti-la, 
Ou senti-la também depois de morta.
                                       
                                        (Soneto, Gregório de Matos)

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